Esvaziamento da política: o funesto legado tucano – por Giorgio Forgiarini

O PSDB nasceu forte. Surgiu de uma costela do PMDB no fim dos anos 1980 e desde cedo mostrou coesão ideológica e articulação admiráveis. Logo no ano de sua fundação, em 1989, lançou Mário Covas candidato à Presidência e alcançou um considerável 4º lugar no primeiro turno, com 11,5% dos votos. Deixou para trás nada menos que o PDS de Paulo Maluf (com 8%) e o próprio PMDB encabeçado por Ulisses Guimarães, com mirrados 4,7% dos votos.
O discurso fazia jus à sigla. Propunha o novo partido uma ruptura cautelosa com o liberalismo cru de Thatcher e Reagan/Bush, mas sem negar totalmente o capitalismo enquanto modelo econômico vigente. A proposta era uma atuação do Estado em harmonia com mercado, com o objetivo de garantir desenvolvimento econômico com foco na livre iniciativa, porém sem descurar de temas sensíveis, como justiça social e combate à desigualdade.
Comprometimento havia também em relação à forma de governo. Desde o plebiscito de 1993 manifestava o PSDB seu compromisso com a tese do parlamentarismo, tendo sido o único partido a levantar a bandeira parlamentarista na ocasião. Firmou posição também em relação ao voto distrital misto.
Quando no Governo, o PSDB mesclou medidas liberais e outras nem tanto. Privatizou o aço, o minério de ferro, o petróleo, as telecomunicações, a distribuição de energia elétrica, mas consolidou o SUS como sistema de saúde universal e descentralizado, inclusive quebrando a patente de medicamentos.
Gostar ou não da posição política do PSDB é direito. O que não se pode é dizer que o PSDB nunca assumiu uma posição política. Assumiu, sim, de maneira forte e muitíssimo bem definida. Por tudo isso colheu ônus e bônus e se firmou como potência política em contraponto ao PT.
Desde então, fenômeno interessante se abateu sobre o partido. Com a pretensão de evitar os ônus do embate político, deixaram os tucanos de falar em política. Vestiram o chapéu de meros burocratas e passaram a focar seu discurso no insípido e confortável argumento da “gestão”. Desde então, tudo passou a girar em torno de “gestão”, de melhorar a “gestão”, como se nunca ninguém tivesse cogitado isso antes.
Gestão é algo importante, mas não basta. O mínimo que se espera de um “gestor público” é que faça boa gestão e, justamente por isso, não deve o tema “gestão” ser motivo de propaganda ou de proselitismo, pelo menos não quando tratado assim, de maneira tão subjetiva e abstrata. Ninguém vai contestar alguém que fale a favor da boa gestão e eis aí o problema.
Ao reduzir seu discurso ao tema “gestão”, o PSDB apequenou a si mesmo. Eduardo Leite e Rodrigo Décimo (depois de Jorge Pozzobom) se elegeram pelo PSDB para chefiar o Estado do RS e o Município de Santa Maria justamente em cima do discurso da “gestão”, mas não conseguiram levar o discurso a diante.
Eis, pois, que Eduardo Leite, entusiasta da boa gestão, mesmo tendo vendido a CEEE, a SulGás e a Corsan, precisou do socorro da União Federal para o pagamento de cerca de R$ 1,59 bi em dívidas do Estado só no ano de 2025; deixou de cumprir com os mínimos constitucionais para saúde e educação e, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias, deve deixar para 2026 um déficit de cerca de R$ 3,79 bi nas contas do Estado.
Rodrigo Décimo, por sua vez, estreou como Chefe do Município e já no primeiro ano teve de fazer malabarismos para pagar os salários dos servidores. Herança maldita? Sabemos que não, a não ser que Décimo resolva jogar a culpa para si mesmo.
Não é à toa que hoje o PSDB tem quatro vezes menos deputados federais em exercício que o PSOL. Os próprios mencionados neste texto já abandonaram o partido, que já recebeu a extrema unção e espera enterro.
Migraram para o PSD, partido que tem a mesma profundidade político-ideológica que os egressos da social democracia. Lá poderão falar sobre “gestão” sem ter que falar de política, exatamente como legado pelo PSDB.
(*) Giorgio Forgiarini é advogado, com curso de Direito pela Universidade Franciscana, é Mestre em Ciências Sociais e Doutor em História pela Universidade Federal de Santa Maria. Ele escreve nas madrugadas de sábado.





Resumo da opera. Não a toa Rato Rouco é corintiano. Pelo jeito quer transformar o Brasil num curingão, quebrado e devendo os tubos. Mesmo sendo gremista preferiria que o pais virasse um Flamengo, o atual. Pelo menos a imagem que é vendida. Porque deve haver problemas por lá também. Afinal, Brasil é o mais antigo pais do futuro do mundo. Quem nele está está sujeito a chuvas e trovoadas.
Resumo da opera. Os incomPeTentes do governo federal atual defendem ‘politica’ e nada de gestão. Não é necessário técnica, só é necessario vontade. Emoção no lugar da razão. O estoque da divida publica federal encerrou 2023 em 6,5 trilhões (fonte Ministerio da Fazenda). Fechou novembro de 2025 em 8,5 trilhões (arredondando). Orçamento federal para 2026 é 6,54 trilhões. Mais do que óbvio que a conta não fecha, haverá consequencias.
Politica e nenhuma gestão? Tarso, o intelectual, concedeu reajuste dos servidores de 6% em 8 parcelas para os servidores. Os sucessores teriam que pagar. Mais ‘politica’, aumentou a folha salariam em 61% entre 2011 e 2014, com inflação de 27% e aumento da receita de 40%. Mais politica? Arranjos produtivos locais. Deram em nada, mas rescursos foram gastos. ‘Ensino Medio Politecnico’, com documento citando Paulo Freire e Grasmsi, recusos no ralo e resultado nulo.
‘Lá poderão falar sobre “gestão” sem ter que falar de política […]’. Há os que afirmam que tudo se resolve pela politica. Geralmente gente sem qualificação, sem experiencia em atividades do mundo real, sem formação. Politica? Aideti bloqueou a Rua 7.
‘Não é à toa que hoje o PSDB tem quatro vezes menos deputados federais em exercício que o PSOL.’ O que diferenciava do PT no discurso desapareceu. Alas, PT matou o PDT ao assumir parte de suas bandeiras. Idem para os Tucanos. A narrativa, verdadeira ou não, de que o PSDB, apesar de não ser um puxadinho como o PSOL, está de alguma forma mancomunado com o PT ‘colou’. Depois que o Picolé de Chuchu virou vice só reforçou a impressão.
Finanças de SM. Cabidão da Vale Machado, grande espanto, não fiscalizou. Ou silenciou, o que é pior. Observatório Social de Santa Maria. ‘O OSSM é uma instituição não governamental, sem fins lucrativos, atuando em favor da transparência e da qualidade na aplicação dos recursos públicos.’ É um ponto cego institucionalizado. Não sei da area que os envolvidos atuam, mas se são só contadores(as) e advogados(as) e nenhum(a) economista vão falhar toda vez. Falta econometria. Analise estanque do orçamento anual.
‘[…] a não ser que Décimo resolva jogar a culpa para si mesmo.’ A bem da verdade a caneta era de Possochato. Verdade é que aconteceu meio estelionato eleitoral. Pessimo se elegeu pela rejeição ao PT e a Aideti. Simples assim. Condições financeiras da prefeitura nem foram assunto a bem da verdade.
‘[…] Eduardo Leite, entusiasta da boa gestão, mesmo tendo vendido […] precisou do socorro da União Federal para o pagamento […] deixou de cumprir com os mínimos constitucionais para saúde e educação […] deve deixar para 2026 um déficit […]’. Jenial. Qual a ‘falácia’? Dudu não controla o que entra no caixa. As fontes de receita são dadas pela legislação. Não pode emitir moeda e contrair divida é complicado. Divida do RS não é toda dele. Recebeu de herança. Alguém la atras antecipou receita. Dudu controla parte dos gastos. Boa parte das receitas são carimbadas (saúde, educação, etc). A liberdade para ‘gestão’ é limitada, mas não é nula. Restringe-se a gastar bem o que sobra. Não gastar em bobagens. Em ‘simbolos’.
‘Eduardo Leite e Rodrigo Décimo (depois de Jorge Pozzobom) se elegeram […]’. Ressalva para Pessimo, o enrolão. A caneta só foi dele mesmo ha pouco tempo. Porém segue a mesma receita de Possochato. Fica marketando a perfumaria e os principais problemas não são atacados/debatidos. Segue a receita que encontrou na gaveta do gabinete quando tomou posse. Por isto a critica a Nota de Tres Reais e a Nota de Sete Reais. Se vendem como novidade, mas são mais tradicionais do que caixa de Maizena.
Digressão rápida. Futebol. Basta ver as gestões mais profissionalizadas de Flamengo e Palmeiras e comparar com o modelo associativo, onde a ‘politica’ come solta, dos outros clubes. Corinthians tem faturamento bilionario. Basta observar o estado do clube. Mais de meio bilhão em divida ativa. Divida total batendo nos tres bilhões. Matematica é o juiz supremo, para suas decisões não existe apelação.
O busilis é simples. Ignorantes acham que sabem tudo. Na politica as soluções faceis, rapidas e erradas ‘vendem’ bem. É o amador corrigindo o profissional. São os ‘especialitas’ de internet. Ou de radio e televisão.
‘Vestiram o chapéu de meros burocratas e passaram a focar seu discurso no insípido e confortável argumento da “gestão”. ‘ Acuse-os do que você faz, chame-os do que você é. Vamos combinar que na iniciativa privada existe gestão e existe burocracia. Saudavel, um meio e não um fim. Funciona.
‘[…] se firmou como potência política em contraponto ao PT.’ Lenin tinha os mencheviques (Partido Operario Social Democrata Russo, setor moderado) e os bolcheviques (a facção radical revolucionaria). Dai as más linguas criaram a expressão ‘teatro das tesouras’. Duas partes com o mesmo objetivo, cortar. No Petrolão Aécio foi acusado de receber grana da Odebrecht. Idem José Serra. Idem Aloysio Nunes Ferreira, ex-motorista do Marighella. Tinha ganho uma sinecura na Belgica do Rato Rouco. Arthur Virgílio Neto desapareceu depois de uma campanha vermelha.
‘O que não se pode é dizer que o PSDB nunca assumiu uma posição política.’ Uma coisa é o partido. Outra coisa são os integrantes não querendo se comprometer. ‘Não sou a favor nem contra; muito antes pelo contrário’.
Voto distrital misto seria uma tentativa de melhorar o sistema. Vermelhos não querem porque acham que iriam perder representação. Os demais não querem porque a cobrança seria bem diferente.
Parlamentarismo era para ter sido implantado em 88. Não foi porque Rato Rouco e Brizola queriam ser presidentes. Por ambição e motivos ideologicos. Deu confusão na Constituinte. De qualquer maneira virou um monstrengo, um ‘presidencialismo de coalizão’ que vai indo que nem bebado ladeira abaixo.
‘[…] inclusive quebrando a patente de medicamentos.’ Licença compulsoria não funciona bem como as pessoas desavisadas pensam. Medicamentos tem proteção por 20 anos. Existe uma pequena compensação financeira para o detentor da patente. Há consequencias. Certos medicamentos não existem no Brasil porque o fabricante não pede registro. Logo não tem que fornecer informações para a fabricação.
‘Quando no Governo, o PSDB mesclou medidas liberais e outras nem tanto.’ Propaganda dos Vermelhos para desqualificar os tucanos. Ressalva é que para um comunista os tucanos podem ser considerados liberais (ou ‘neoliberais’). Para quem está bem na esquerda todo o resto é direita, inclusive o centro.
Programa da social democracia também é definido. Bobbio. Não seguem o comunismo tradicional que busca a expansão estatal. Rejeitam nacionalizações (vide Chaves). Usam dois instrumentos para intervir na economia: tributação de individuos/empresas e transferencia dos recursos para setores estrategicos. Estado coordena a alocação de recursos.
Social democracia tem definições teoricas. Problema é que a realidade brasileira não ‘encaixa’ muito nas teorias criadas alhures. Social democracia na Europa surge como partido de operarios ligados ao sindicalismo. No Brasil surgiu numa elite (no sentido de grupo seleto e não de ‘grupo melhor’). Mario Covas era classe media no minimo. Cria da Escola Politecnica da USP. Onde foi colega de Maluf. Militou no Partido Social Tabalhista. Outros fundadores do partido: Quercia (advogado), Montoro (advogado), Efeaga (sociologo).
‘[…] PMDB encabeçado por Ulisses Guimarães, com mirrados 4,7% dos votos.’ Finado Olicio era candidato dele mesmo. Também era picolé de chuchu.