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Fiscalização ambiental por satélite já é realidade. O que fazer na prática? – por Ana Luiza Arigony

O principal “é abandonar o improviso. O ambiental passou a integrar a gestão”

Hoje, praticamente todo mundo que produz ou empreende já ouviu falar em fiscalização ambiental por satélite. A ideia de que “ninguém vai ver” ficou no passado. Isso já foi dito, repetido e compreendido.

A pergunta que surge agora é outra, bem mais prática: o que fazer sabendo que essa fiscalização já existe?

Porque o satélite não distingue intenção, tamanho da intervenção ou contexto. Ele registra mudança. A partir disso, o procedimento começa.

Um dos primeiros cuidados – e talvez o mais ignorado – é o registro da área antes de qualquer intervenção. Muitas autuações surgem não porque houve irregularidade, mas porque não existe prova de como o local estava antes. Se a imagem mostra alteração e o responsável não consegue demonstrar que a área já era consolidada, degradada ou manejada, a presunção costuma jogar contra.

Outro ponto essencial é a organização documental. Autorizações, comunicações ao órgão ambiental, laudos técnicos e registros de orientação fazem diferença quando surge um questionamento. A imagem mostra a mudança, mas não mostra o motivo. E é o documento que explica a imagem.

Também é preciso entender que pequenas intervenções somadas podem parecer irrelevantes no dia a dia, mas no satélite aparecem como uma alteração significativa. Limpezas sucessivas, cortes pontuais e movimentações de solo acabam formando um conjunto que chama atenção dos sistemas de monitoramento.

Há ainda as áreas naturalmente mais sensíveis: banhados, áreas úmidas, margens de cursos d’água e vegetação nativa rala. Mesmo intervenções aparentemente simples nesses locais tendem a gerar alertas com mais facilidade. Muitas vezes, o problema não é exatamente o que foi feito, mas onde foi feito.

Diante desse cenário, a principal mudança de postura é abandonar o improviso. O ambiental passou a integrar a gestão do negócio. Assim como se controla contrato, nota fiscal e estoque, também é necessário controlar intervenções no espaço físico.

A fiscalização por satélite não é exceção nem ameaça futura. Ela já faz parte da realidade. E quem entende isso deixa de agir por tentativa e erro e passa a tomar decisões mais conscientes.

No ambiental de hoje, não é questão de não mexer na área. É questão de mexer sabendo exatamente o que está sendo feito – e estando preparado para demonstrar isso depois.

(*) Ana Luiza Arigony é advogada ambiental e mestranda em Engenharia de Produção pela UFSM. Ela escreve no site às terças-feiras.

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3 Comentários

  1. Resumo da opera. Pessoal do juridico vive no meio da burocracia e imagina um mundo diferente do mundo real. Quando sugerem alguma coisa é com base no mundo imaginario. O que poderia dar errado?

  2. Ultimo ‘recenseamento’ do IPTU da cidade foi feito na base de fotos tiradas de avião e até por drones. Por que não satélite? Resolução.

  3. Cascata. Fica parecendo que existe um satelite apontado para todo lugar no territorio tupiniquim. Resolução para ambientes urbanos é geralmente 2 metros por pixel. Ou seja, criatura derruba uma arvore e uma manchinha muda de cor. Satélites comerciais conseguem resoluções inferiores a 1 m. Mas são comerciais, tem que pagar para usar.

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