A gestão solidária e a nova ordem mundial – por Luiz Carlos Nascimento da Rosa
“Via clamor popular, Congresso está discutindo a jornada de trabalho no Brasil”

O Liberalismo espraiou-se solto no mundo afirmando que as questões econômicas são fundamentais para reger o mundo e tornar possível o novo império, depois do advento da supremacia das relações de troca e a subsunção do mundo às relações sociais capitalistas. Do fordismo as “ISO 9000”, estamos atônitos e indiferentes à dinâmica do processo de trabalho. O mercantilismo desvairado da terceirização matou qualquer possibilidade de utopia.
O intelectual, odiado por muitos escravagistas, que ficou cinco décadas estudando as relações capitalistas de produção disse, no século XIX, que o caminho da humanidade era diminuir as horas de trabalho de todos. Marx, em seus estudos, afirmou que na nova ordem capitalista o ser humano só se sentiria em si fora do trabalho e nunca em si no mundo do trabalho. O processo científico do gerenciamento e organização do trabalho causa, ontologicamente, o chamado estranhamento ou alienação.
A gênese da palavra ‘Trabalho’ é medieval e vem de Tripalium (ou Tripalus), que era um instrumento de tortura. A tortura moderna são as intermináveis horas de trabalho para manter o básico da sobrevivência biológica.
No século XIX, Marx disse que precisávamos do tempo de ócio, que justamente com a Filosofia e a Arte seriam instrumentos mediadores para criar as possibilidades de alimentar uma nova forma de ser.
Na modernidade, depois do fordismo e taylorismo, a Educação deve contribuir para que o campo da reflexão seja capaz de nos tornar mais e melhores.
Que todas as linguagens das Artes nos libertem dessa tortura capitalista do mundo da necessidade biológica.
Que o ser humano tenha prazer em ler um bom livro, escutar uma boa música e contemplar a singularidade e a beleza das Artes Plásticas.
Não devemos mais querer as diferentes formas de aprisionamento do ser em nosso psiquismo, uma liberdade criativa. Pensamentos e liberdade sim, aprisionamentos que fiquem no medievalismo histórico e social.
Vejam que maravilha estamos vivendo no Brasil!
“Entre tapas e beijos”, via clamor popular, o Congresso Nacional está discutindo a Jornada de Trabalho no Brasil.
A ideia é sepultar a jornada 6/1. É um projeto de lei que quer discutir o tempo livre para que o cidadão possa fazer outras coisas para além do ganhar a vida com “o suor de seu rosto”.
Folclóricos e defensores do obscurantismo cultural e negacionistas querem o retorno às fatídicas relações escravagistas. Os apedeutas não sabem que a própria conjuntura mundial aponta para o sepultamento de relações sociais feudais.
A lógica neoliberal está criando, via terceirização, o trabalho escravo e sem limites para a apropriação privada da produção coletiva.
Quem sabe, um dia, iremos criar mentalidades que gostem de Clarice Lispector ou Dostoievski? A vida é conforme somos capazes de produzi-las e propagá-las.
Como afirmou o poeta Vladimir Maiakovski: “…nada de novo há no rugir das tempestades…”.
Entre silenciamentos e estranhamentos o mundo está se configurando como algo diferente. As questões econômicas estão administrando as questões políticas. As ordens do novo sistema de globalização estão tornando as questões políticas como gênese e modus operandi da pluralidade solidária do multipluralismo universal.
Sejamos capazes de ler a contemporaneidade de nosso mundo.
A nova ordem será de uma gestão generosa das condições objetivas e econômicas e de partilhamento dos processos políticos de criação de um novo mundo, altamente humanitário e, socialmente participativo nas relações com o poder.
Parafraseando Clarice Lispector: queremos dizer que, ao nos debruçarmos sobre o cotidiano, sejamos capazes de reinventar a possibilidade da generosidade como mediadora de nossas relações sociais e criadora de infinitas afetividades. Que a cultura alimente e seja produtora de uma nova forma de vida e uma filosofia correspondente.
Lembremos da pensadora A. Heller quando afirmou que “toda forma de vida pressupõe a uma Filosofia e toda Filosofia pressupõe a uma forma de vida”.
Os BRICS e suas lideranças têm afirmado que não há mais espaço para imperialismos.
Ao vivo e a cores, temos assistido as bravatas narcisistas de Donald Trump. Ele é tão egoísta e desvairado que pensa que vai passar para a História como um grande Chefe de Estado e produtor da paz (sic). Esses seus delírios psíquicos farão que seja sepultado pelo tribunal da História.
As lideranças da nova ordem mundial, em processo de criação, afirmam que as gestões econômicas e políticas devem ser partilhadas para o bem de todos e, assim sendo, criar uma vida solidária com a divisão da produção material para que traga uma vida digna para todos os seres humanos.
Como em muitas outras determinações históricas, ao refletir sobre a jornada de trabalho, que a sociedade brasileira seja capaz de reinventar esse nosso novo mundo e que a vida solidária para essa nova forma de vida multipolar.
(*) Luiz Carlos Nascimento da Rosa é professor aposentado do departamento de Centro de Educação da UFSM





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