As guerras de Trump não são apenas petróleo – por Amarildo Luiz Trevisan
“Ou existe algo mais profundo, de ordem filosófica ou até espiritual?”

Qual é, afinal, o erro fundamental da política de Donald Trump? Desde que reassumiu o poder, o presidente tem operado em um estado de colisão permanente. Ele não apenas “bate cabeça” com potências como Rússia e China; ele fratura alianças históricas com a União Europeia e hostiliza vizinhos como o México, Brasil e o Canadá. Entretanto, a sua frente de batalha mais reveladora não está no tabuleiro diplomático, mas nas entranhas das cidades americanas.
O que vimos recentemente em Minneapolis – uma cidade inteira mobilizada sob um frio de 10 graus negativos – é o sintoma de uma guerra interna contra a imigração que transbordou para o delírio. Percebemos que o erro de Trump não é apenas estratégico; é de natureza ontológica.
Como gestor, aprendi uma lição cara: quando alguém está envolvido em todas as brigas, o denominador comum da discórdia é o próprio indivíduo. Seja ameaçando a Venezuela, cobiçando a Groenlândia ou afrontando o Irã, o método é cíclico: ameaçar a invasão para forçar a negociação.
Muitos se enganam ao pensar que Trump busca encerrar as guerras da Ucrânia ou de Gaza por um desejo humanitário ou pelo Nobel da Paz. Isso é cortina de fumaça. Trump quer encerrar as guerras do passado apenas para limpar o terreno para as suas próprias. Mas a pergunta persiste: seria tudo isso apenas por petróleo, dinheiro ou hegemonia econômica? Ou existe algo mais profundo, de ordem filosófica ou até espiritual?
O erro básico da ideologia de Trump é tentar transformar o que é social e histórico em algo “natural”. Ele quer que acreditemos que a supremacia é uma ordem da natureza. Contudo, o seu conceito de “natureza” é tão anacrônico quanto a sua política. Trump fundamenta-se numa lógica de competição pura, ignorando o que a ciência já provou: os organismos não sobreviveram até hoje por serem os mais agressivos, mas porque aprenderam a cooperar. A vida é uma teia de colaboração, não um ringue de boxe ininterrupto.
Ao ignorar a cooperação, Trump não está a ser “realista”; está apenas a ser obsoleto. As suas guerras não são apenas por recursos; são pelo fim da história. No fim das contas, o que se perde primeiro não é o petróleo. É o senso de mundo comum.
Assim como a Idade Média errou ao interpretar conflitos humanos como desígnios divinos, a nova cruzada de Trump busca uma “naturalização” da desigualdade.
Ele pega problemas históricos, sociais e culturais e os apresenta como se fossem naturais, como se estivessem inscritos na ordem do mundo. O conflito deixa de ser resultado de escolhas, desigualdades, guerras, colonizações, crises econômicas, políticas internacionais e trajetórias pessoais. Passa a ser tratado como se fosse destino biológico ou lei da natureza. A mensagem, no fundo, é esta: há um lugar “correto” para cada grupo, e quem sai do lugar precisa ser punido severamente.
Se o problema é “natural”, a solução não precisa de política pública complexa, nem de debate, nem de mediação. Basta força. Basta expulsar, conter, selecionar, separar. O que poderia ser enfrentado com instituições, cooperação, educação, trabalho e integração vira questão de “defesa do habitat”. E, quando se chega a esse ponto, a democracia perde terreno, porque a democracia exige justamente o oposto: tratar o mundo humano como mundo humano, um mundo feito de história, regras discutidas, direitos, responsabilidades e revisões.
Nesta visão distorcida, o sucesso ou a supremacia de um grupo (neste caso, a elite branca ocidental) não é visto como o resultado de séculos de acumulação de capital, educação e privilégios históricos. É visto como uma ordem natural das coisas. Ao negar que o ser humano é fruto da sua história e das suas interações, Trump tenta apagar o peso da sociologia para instaurar uma biopolítica do isolacionismo.
A comparação moral que sustenta esse discurso é desonesta. Ela ignora que as pessoas carregam histórias desiguais. Se alguém teve acesso negado à escola de qualidade, condições de saúde, tempo para estudo, redes de apoio e oportunidades mínimas, não faz sentido exigir o mesmo desempenho de quem recebeu tudo isso desde cedo. Quando se apaga a história e se chama desigualdade de incapacidade, o preconceito ganha aparência de argumento.
As guerras de Donald Trump não são apenas por recursos fósseis; são pelo fim da história. Ele deseja interromper o progresso das construções sociais e das reparações históricas para dar início a uma “Nova Era da Natureza”, onde o forte prevalece sobre o fraco por direito de nascimento, e não por contrato social.
As guerras de Donald Trump, portanto, não são apenas por petróleo ou hegemonia comercial; elas representam o desejo de interromper a complexidade da história para instaurar uma espécie de “lei da selva” com Wi-Fi.
No fim das contas, a grande ironia do “projeto Trump” é que, ao tentar tornar a América grande novamente, ele parece querer devolvê-la ao estado de natureza – onde o diálogo é substituído pelo rosnado.
Se Einstein estava certo e a Quarta Guerra será com paus e pedras, Trump está apenas se antecipando: onde não há diálogo humano, não resta a paz dos vencedores, mas apenas a brutalidade do instinto. E na selva da geopolítica moderna, quem ruge mais alto geralmente é quem esqueceu como se fala.
(*) Amarildo Luiz Trevisan é licenciado em Filosofia, mestre em Filosofia (UFSM), doutor em Educação (UFRGS) e pós-doutor em Humanidades pela Universidade Carlos III de Madri. Tem formação teológica pela Diocese de Goiás. É Professor Titular aposentado da UFSM e atua como Professor Visitante no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN. Publicou diversos trabalhos, entre eles o livro Terapia de Atlas: Filosofia da educação no contemporâneo (EDUCS, 2020). Ele escreve no site aos sábados.





Resumo da opera II. ‘O que tem de ser, tem muita força’. Agente Laranja é uma figura historica. Não esta ai para agradar ou desagradar. A sobrevivencia é a dos que se adaptam. Não dos que vivem de mimimi.
Resumo da opera. Certamente o Agente Laranja vai ficar preocupado ao ler a coluna. Também com a opinião de todos que concordarem com ela.
‘[…] onde não há diálogo humano […]’. Dialogo humano é quando todo mundo concorda com os Vermelhos.
‘Se Einstein estava certo e a Quarta Guerra será com paus e pedras, […]’. Truquezinho. Ele não era burro, se fosse hoje diria outra coisa, contexto é outro. Mas era só um fisico. Bomba atomica surgiu de uma carta dele para Roosevelt. Depois virou pacifista.
‘[…] o tentar tornar a América grande novamente, […]’. É um slogan de campanha. Não ficou bilionario sendo burro. Tem plena consciencia da decadencia ianque.
‘Ao negar que o ser humano é fruto da sua história […]’. Contradição não poderia faltar. Numa corrida quem sai atrasado tem que correr mais rapido (é a propria historia), se esforçar mais, para tirar a diferença. Segundo os Vermelhos o certo seria os que sairam na frente esperar. No final o objetivo é uma grande tribo global ‘vivendo em paz com a natureza’, trabalhando para sustentar a ‘vanguarda do proletariado’ que fez o ‘sacrificio’ de defecar regras para os outros.
‘[…] o sucesso ou a supremacia de um grupo (neste caso, a elite branca ocidental) não é visto como o resultado de séculos de acumulação de capital, educação e privilégios históricos.’ Mais religião Vermelha. Evolução social e tecnologica não foi uniforme no planeta. Nunca foi. Quando os conquistadores chegaram na America os Aztecas equivaliam aos egipcios de 4 mil anos antes de Cristo. Na Amazonia e na Africa Subsaariana não tinham inventado a roda e mal tinham algum tipo de agricultura. Não é ‘privilegio’, é uma distinção. Não foi algo ‘concedido’, foi algo construido através do tempo.
‘[…] tratar o mundo humano como mundo humano […]’. Vermelhos viraram proprietarios do que é ‘humano’. O que é ‘desumano’ destina-se a eliminação. Em algum lugar do Universo Adolfo sorri.
‘O que poderia ser enfrentado com instituições, cooperação, educação, trabalho e integração vira questão de “defesa do habitat”.’ Agente Laranja não está preocupado com os problemas do mundo. Esta preocupado com os problemas ianques. Falam em ‘cooperação’ porque não tem poder e muito menos força. O estado anterior, ‘Ianques são ricos logo tem que pagar a conta do mundo’ já não se sustenta. O leão não vai deixar de ser o Rei da Floresta e convocar uma assembleia para saber a opinião do tatu. Pode até conversar com o elefante, o hipopotamo, o bufalo….
‘A mensagem, no fundo, é esta: há um lugar “correto” para cada grupo, e quem sai do lugar precisa ser punido severamente.’ De novo ‘luta de classes’. Religião. Ianques tem interesses. Quem os contraria paga a conta. Simples assim.
‘Ele pega problemas históricos, sociais e culturais e os apresenta como se fossem naturais, como se estivessem inscritos na ordem do mundo.’ Ou seja, autor determina que existe uma ‘ordem no mundo’, que não é a de Trump, logo ele está errado. A ‘correta’, obviamente, é a da religião dos Vermelhos.
‘[…] a nova cruzada de Trump busca uma “naturalização” da desigualdade.’ Os ianques são a nomenklatura mundial. Nenhuma população, de mesmo tamanho, tem o padrão de vida da americana. Poder aquisitivo. Do ponto de vista deles alguns imbecis adotaram a religião Vermelha e querem abrir mão das benesses. Maioria não.
‘[…] são pelo fim da história.’ ‘É o senso de mundo comum’ Religião ideologica.
‘ A vida é uma teia de colaboração, não um ringue de boxe ininterrupto.’ Vide ‘O gene egoista’ de Richard Dawkins. Ou Paul Rosolie, ambientalista que vive na Amazonia Peruana: ‘A selva a noite é o espetaculo mais bizarro da Terra. Quando o sol se põe a paisagem se transforma num turbilhão agitado de vida assassina, rastejante, fornicadora, espreitadora e aquatica’. Livro ‘Mother of God’.
‘[…] ignorando o que a ciência já provou: os organismos não sobreviveram até hoje por serem os mais agressivos, mas porque aprenderam a cooperar.’ Uso politico da palavra ‘ciencia’. Distorção da informação para confirmar a ideologia. Sobrevivência é dos que melhor se adaptam. Qualquer piá de ensino médio sabe disto.
‘Trump quer encerrar as guerras do passado apenas para limpar o terreno para as suas próprias.’ Sim, Vermelhos com seus incriveis poderes telepaticos tem informações que ninguém mais tem.
‘[…] o método é cíclico: ameaçar a invasão para forçar a negociação.’ Mostrar força para forçar a negociação.
‘Como gestor, aprendi uma lição cara: […]’. Kuakuakuakuakuakua! Coordenador de curso? Chefe de departamento? Kuakuakuakuakuakua! Mesmo nivel de um dos maiores potencias da historia do planeta! Kuakuakuakuakua!
‘[…] uma cidade inteira mobilizada sob um frio de 10 graus negativos […]’. Cascata de sempre. Até a CNN fala em ‘milhares’. Muita gente de fora também. Maquina de propaganda tentando vender a imagem de que ‘são maioria’. Truque velho.
‘Ele não apenas “bate cabeça” com potências como Rússia e China; […]’. Competição. Mundo multipolar, cada um define o tamanho do proprio quintal.
Padrão Vermelho. SM não tem coleta seletiva de lixo decente e querem debater os problemas mundiais. Sem formação ou informação dignas de nota.