“Sirāt”: a alfinetada vinda da Espanha – por Roselâine Casanova Corrêa
O filme e uma crítica inusitada e sem propósito do diretor Óliver Laxe Coro

Óliver Laxe Coro é um ator, diretor e roteirista franco-espanhol e detém alguns prêmios em sua carreira. Dirigiu “Sirāt”, filme também franco-espanhol, que abriu a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro/2025. Deve chegar aos cinemas no Brasil, em 26/02, mas já pode ser visto no MUBI. É vencedor do Prêmio do Júri (Prix du Jury), no Festival de Cannes/2025, dentre outras condecorações já conquistadas. Trata-se, portanto, de um filme que está fazendo bonito nos festivais, sobretudo na Europa.
Com esse currículo, era de se esperar de seu diretor – que tem filmes memoráveis em sua trajetória cinematográfica – maior compostura nas entrevistas. Não foi o que se viu. Ao apresentador David Broncano, no programa La Revuelta, da TV estatal da Espanha, insinuou que os brasileiros “votariam até em um sapato”, desde que fosse brasileiro, uma vez que “eles são ultranacionalistas”. Se referia ao seu concorrente na categoria de “Melhor Filme Internacional” – “O Agente Secreto” – no Oscar/2026. “Sirāt” concorre também, a categoria de “Melhor Som”, na premiação.
A conta que o diretor não fez, ao pronunciar essa frase provocativa – e inverossímil – é que o Brasil é representado com apenas 0,6% dos membros avaliadores do Oscar. Na íntegra, a Academia possui cerca de 10,9 mil votantes, sendo aproximadamente 63 desses brasileiros (dentre eles Sonia Braga, Rodrigo Santoro, Alice Braga, Maeve Jinkings, Wagner Moura e Selton Mello).
Seriam risíveis as afirmativas do diretor espanhol, não fosse o caráter colonialista que possui esse tipo de narrativa. Tanto que não se refere aos demais concorrentes. Para “Melhor Som”, concorre com filmes de peso, como F1: O Filme, Pecadores, Frankenstein e Uma Batalha Após a Outra. Sobre esses, nenhuma palavra. Seria pedagógico ao diretor lembrar o imbróglio com “Emilia Pérez”, no Oscar/2025. Até Karla Sofía Gáscon – justo ela – desaprovou veladamente a postura do espanhol.

“Sirāt” está ancorado em um elenco que inclui, dentre outros, Sergi López (Luis), Jade Oukid, Stefania Gadda, Tonin Janvier e Joshua Liam Henderson, interpretando a si próprios. A trama gira em torno de um pai (Luis) e seu filho (Esteban), em busca da filha/irmã, nos desertos ao sul do Marrocos, especificamente no árido Saghro, em locais que ocorrem raves, sob uma atmosfera mística das festas de música eletrônica.
Pai e filho se juntam a um grupo nômade que está se deslocando para outra rave, por caminhos tortuosos e insalubres, em que necessitam pechinchar até a gasolina (um dos carros, de fato, é movido a óleo diesel, mas quem se importa?). Para piorar, parte dos campos desérticos está cheio de explosivos (pela iminência, na trama, de uma Terceira Guerra Mundial).
De início, o filme causa certo estranhamento, ambientado na íntegra em um deserto interminável, sob nuvens de areia que impedem a visão, penhascos assustadores e um som que ecoa ensurdecedor e irregular. Os personagens são retratados de forma quase visceral em suas particularidades. São corpos cansados, nada convencionais, em um ambiente inóspito. Perde-se a noção de tempo na narrativa. A revista Rolling Stone, com certo mau humor, definiu o longa como uma “travessia sádica rumo ao inferno, feita para público masoquista”.
O título do longa vem do árabe, que significa a busca do sentido da vida, seus obstáculos e seus reveses. Para o islamismo, “Sirāt” significa um caminho desafiador ou uma travessia difícil ou mística, “como uma ponte sobre o inferno”. Parece que a narrativa encaminha para a compreensão de que no deserto nada brota, nem ideias.
Óliver Laxe tem toda a razão em preocupar-se com seu concorrente brasileiro. Contudo, poderia ter sido mais elegante!

(*) Roselâine Casanova Corrêa é Professora de História. Graduada em História (UFN), com especialização em História do Brasil (UFSM); Museologia (UFN) e mestrado em História (PUC/RS). Foi membro do COMPHIC (2012-2022). Também é, com o jornalista Bebeto Badke, idealizadora do “Projeto Amnésia: descubra Santa Maria”. Autora do livro “Cenário, cor e luz: amantes da ribalta em Santa Maria (1943-1983) e vários artigos em livros coletivos. Escreve para a Revista Solar Impressa.





O tema abordado na minha resenha de hoje não inclui o genial Bad Bunny e seu belíssimo show no Super Bowl.
Resumo da opera. Filme espanhol irrelevante. Masturbação mental travestida de falsa erudição e falsa ‘intelectualidade’.
O longa é controverso, Brando.
Há quem tenha gostado muito e quem não curtiu.
À parte a deselegância de Óliver Laxe, achei um filme difícil de assistir, que parte do nada e vai a lugar algum.
Mas isso é opinião pessoal.
Com todo o respeito aos que gostaram muito.
Particularmente entendo que há filmes excepcionais concorrendo ao Oscar/2026: Valor Sentimental, Bugonia, Frankenstein, Hamnet, Uma batalha após a outra, Ṣawt Hind Rajabpara, Foi apenas um acidente, para citar alguns deles.
Oscar já não é como antigamente. Personaliza o ‘filme é para ganhar dinheiro ou para ganhar premio’. Por lá, só filmes para ganhar premio. Bilheterias não pagam a ‘obra’. Anos atrás Will Smith levantou da mesa, esbofeteou o apresentador e sentou. Minutos depois ganhou um premio e foi aplaudido de pé. Este é o tamanho do descolamento da realidade deste povo.
Boa tarde, Brando.
O episódio a que você se refere ocorreu no Oscar 2022.
Will Smith levantou-se da mesa na plateia e subiu ao palco para dar um tapa no comediante Chris Rock.
O Motivo:
Chris Rock fez uma piada sobre a cabeça raspada de Jada Pinkett Smith, esposa de Will Smith, comparando-a com a personagem de Demi Moore no filme G. I. Jane (1997).
Jada sofre de alopecia, uma condição autoimune que causa queda de cabelo, e não riu da piada.
Consequência:
Após o incidente, Will Smith ganhou o Oscar de Melhor Ator por “King Richard: Criando Campeãs”, mas devido à agressão, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood o baniu de participar de suas cerimônias, incluindo o Oscar, por 10 anos (até 2032).
Repercussão:
O evento gerou um grande debate sobre os limites do humor e a reação violenta de Smith, que se desculpou publicamente mais tarde.
Portanto, houve punição ao agressor ( Will Smith) .
Contudo, o autor da piada de péssimo gosto – que envolvia uma doença grave – não sofreu nenhuma advertência.
Por falta de melhores termos, existem ‘microbolhas’ e ‘superbolhas’. Taylor Swift tem mais de 280 milhões de seguidores no Instagram. Espalhados mundo afora. É conhecida por pouca gente mais do que isto. Uns escutam a musica, mas nem sabem quem esta cantando. Para o restante dos 8 bilhões é desconhecida. Bad Bunny, o da contravérsia, tem 53 milhões de seguidores. Ganhou premio recentemente. No show do intervalo do Super Bowl o que se viu no estádio foi engraçado. Algo como Reginaldo Rossi fazendo show de abertura para o Iron Maiden. Desconhecido da maioria da platéia. Musicas em espanhol coloquial, de rua. Jogo foi em Santa Clara na California. O ingresso mais barato era pouco mais de 3,2 mil dolares. Porto Rico, alem da barreira linguistica, é um territorio ianque. Mas por lá a grande maioria não sabe apontar no mapa.
O tema abordado na minha resenha de hoje não inclui o genial Bad Bunny e seu belíssimo show no Super Bowl.