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Brizola sempre vivo em nossas lembranças – por Marionaldo Ferreira

“Até que ponto a liberdade de imprensa no Brasil é, de fato, liberdade?”

A velha tensão entre poder político e poder midiático no Brasil ganhou um de seus capítulos mais emblemáticos na figura de Leonel Brizola. Conhecido por seu estilo combativo, Brizola não hesitava em apontar o que via como uma concentração perigosa de influência nas mãos de grandes grupos de comunicação – em especial a Rede Globo e seu fundador, Roberto Marinho.

Para Brizola, não se tratava apenas de divergência editorial ou disputa política. Sua crítica era estrutural: ele via a grande mídia como parte integrante de um sistema de poder que molda narrativas, seleciona vozes e define quais interesses ganham visibilidade. Em diversas ocasiões, denunciou o que considerava uma atuação parcial e alinhada a elites econômicas e políticas, acusando a emissora de atuar mais como agente do sistema do que como fiscal independente da democracia.

Décadas depois, o debate permanece atual – talvez ainda mais urgente. Em um cenário de alta concentração midiática, a promessa de uma imprensa plenamente livre e plural parece distante. Embora existam jornalistas comprometidos com a ética e a apuração rigorosa dos fatos, é inegável que muitos profissionais enfrentam pressões internas. A linha editorial, definida por interesses empresariais e políticos, frequentemente delimita o que pode ou não ser publicado.

Essa realidade levanta uma questão incômoda: até que ponto a liberdade de imprensa no Brasil é, de fato, liberdade? Quando a sobrevivência profissional depende da conformidade com diretrizes editoriais rígidas, a autonomia do jornalista fica comprometida. O risco não é apenas individual, mas coletivo – uma sociedade mal informada ou informada de forma enviesada perde sua capacidade crítica e sua força democrática.

Defender uma imprensa livre não é atacar jornalistas ou veículos específicos, mas questionar estruturas que limitam a diversidade de perspectivas. Uma mídia verdadeiramente plural exige descentralização, incentivo a veículos independentes e transparência nas relações entre empresas de comunicação e o poder.

O legado crítico de Brizola, concordando-se ou não com suas posições, serve como lembrete: a democracia não se sustenta apenas em eleições, mas também na qualidade e independência das informações que circulam. E essa é uma discussão que o Brasil ainda precisa enfrentar com coragem.

(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.

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5 Comentários

  1. ‘O legado crítico de Brizola,[…]’. Nunca foi um santo. Liderou o Movimento Nacionalista Revolucionario. Com apoio cubano iniciou a guerrilha do Caparaó. Foquismo de Che Guevara.

  2. ‘Quando a sobrevivência profissional depende da conformidade com diretrizes editoriais rígidas, a autonomia do jornalista fica comprometida.’ Discurso do tempo do epa. Inumeros são os casos onde pessoas largam o cargo numa empresa para tocar um canal no Youtube, canal no Instagram. A longo prazo não vai ser mais assim, mas por enquanto é.

  3. ‘ Embora existam jornalistas comprometidos com a ética e a apuração rigorosa dos fatos, é inegável que muitos profissionais enfrentam pressões internas.’ Inumeros ‘profissionais’ usam o local de trabalho para promover a ideologia pessoal.

  4. ‘Em um cenário de alta concentração midiática, a promessa de uma imprensa plenamente livre e plural parece distante.’ Problema sério. No meu planeta a midia é desconcentrada e distribuida. Existem multiplas fontes. Ao contrario da epoca de Itagiba, o bombardeio de informações é significante, é dificil saber o que é informação e o que é ruido.

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