Entre o ensino, os valores e o futuro da educação – por Luís Henrique Kittel
“A cerimônia desta quinta-feira será a afirmação de uma proposta educacional”

Em tempos em que a educação enfrenta desafios cada vez mais complexos dentro e fora da sala de aula, Agudo viverá um daqueles momentos que ultrapassam o simbolismo de uma cerimônia escolar. A Escola Municipal de Ensino Fundamental Cívico-Militar Santos Dumont realizará a cerimônia de entrega das boinas para cerca de 200 alunos, que marcará a consolidação de um projeto educacional que colocou o município entre os pioneiros da região da Quarta Colônia na implantação do modelo cívico-militar.
A boina, dentro deste contexto, vai para além de uma parte do uniforme. Ela simboliza pertencimento, responsabilidade e disciplina. Em um cenário em que a escola contemporânea passou a enfrentar desafios muito além da aprendizagem tradicional, discutir comportamento, convivência, limites e respeito tornou-se parte inevitável da rotina educacional.
O professor de hoje já não carrega somente a missão de ensinar matemática, português ou ciências. Muitas vezes, também precisa assumir funções de mediação social, acolhimento emocional e formação de valores básicos de convivência. É uma realidade que se impõe diariamente nas redes públicas de ensino em todo o país.
É justamente nesse ponto que a presença dos monitores cívicos ganha relevância dentro do modelo cívico, adotado em Agudo. Os reservistas e profissionais ligados à monitoria não substituem o papel pedagógico dos educadores, que continua sendo central, mas atuam como suporte na organização, no acompanhamento disciplinar e no fortalecimento de princípios de respeito e responsabilidade.
Mas também é preciso tratar o tema com honestidade. O modelo enfrenta desafios concretos. Um dos principais hoje é justamente a dificuldade de manutenção e ampliação do quadro de monitores, especialmente pela ausência de maior apoio do Estado na liberação de reservistas da Brigada Militar para atuação nas escolas.
Muitos municípios acabam encontrando obstáculos burocráticos e limitações operacionais para garantir profissionais suficientes à monitoria cívica. Na prática, diversas cidades dependem de esforços locais para manter funcionando uma proposta que nasceu a partir de uma parceria entre educação e segurança pública.
Evidentemente, o tema também gera debates. Há quem veja nas escolas cívico-militares uma alternativa positiva para fortalecer disciplina e ambiente escolar, enquanto outros criticam o modelo por entenderem que os investimentos deveriam ser direcionados exclusivamente ao reforço pedagógico tradicional.
Mas independentemente das divergências ideológicas, Agudo construiu sua experiência própria. E ela precisa ser analisada pela realidade local, que é de participação das famílias, envolvimento da comunidade escolar, fortalecimento do sentimento de pertencimento e tentativa de oferecer um ambiente mais organizado aos estudantes.
A cerimônia desta quinta-feira, portanto, será a afirmação de uma proposta educacional que busca equilibrar ensino, valores, responsabilidade e convivência social, algo que, convenhamos, está cada vez mais em falta no mundo atual.
(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN. É prefeito de Agudo (o único do PL na região), e é o atual presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro) e já foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia. Ele escreve no site às quintas-feiras.





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