Ilusionistas – por Orlando Fonseca

Havia um ilusionista na Casa Branca, no momento do ataque contra Trump, no sábado dia 25 de abril. Ou dois (vai saber), ou uma legião deles, levando em conta as teorias de conspiração. Segundo o noticiário, um mágico e mentalista americano estava realizando um truque para o presidente e sua esposa, no momento em que tiros foram disparados durante o Jantar dos Correspondentes da Casa Branca. Pelo que foi noticiado, também estava em curso um atentado armado, com o presidente americano como alvo. Imagens mostram o mágico Oz Pearlman, posicionado entre Trump e Melania, o qual fazia um truque com um bloco de anotações e uma caneta quando os disparos começaram, e os agentes de segurança iniciaram a movimentação para proteger as pessoas presentes. Pearlman contou que, naquele momento, ficou em estado de choque, acreditando que poderia morrer. Enquanto as autoridades do alto escalão de governo dos EUA eram retiradas às pressas, o suspeito, Cole Tomas Allen, de 31 anos, professor particular e desenvolvedor de jogos, também hospedado no hotel do evento, era preso.
As teorias de que havia mais de um ilusionista no evento, interrompido como foi, começam com a suposição (e notícias) de que a segurança do jantar de gala era fraca. Um vídeo da câmera de um segurança mostrou Allen correndo em alta velocidade para passar pelo bloqueio em direção ao salão. Houve troca de tiros, e Allen disparou ao menos uma vez, segundo testemunho dos presentes. Em seguida, foi derrubado pelo pessoal do Serviço Secreto e preso ainda do lado de fora. Um agente do Serviço Secreto foi atingido em seu colete à prova de balas e está bem de saúde. Após ser investigado pelo FBI – para alguns, parte da equipe de ilusionistas – foi formalmente acusado pela Justiça dos EUA.
Talvez o atirador não fosse um dos ilusionistas, mas sim um dos antigos iludidos, dentre os muitos desiludidos americanos (alguém desiludido esteve iludido em algum momento). Grande parcela da população americana acreditou na retórica trumpiana de tornar os EUA grande outra vez e acabar com as guerras. No entanto, a economia e a ordem social cada vez mais se deterioram; ao mesmo tempo, o presidente e sua entourage se metem em confusões bélicas pelo mundo. Donald Trump, esse sim, é mestre em ilusionismos. Magnata criado pelos espetáculos midiáticos, acredita ainda que está em um big programa de TV, e não à frente da maior potência bélica e econômica do planeta. Isso, inclusive, torna mais fantasiosa a sua atuação como presidente. Entre tarifaços e mísseis, esboça um comportamento errático, a todo momento precisa voltar atrás e criar a ilusão de que está vencendo a inflação ou a guerra. No entanto, os números da economia americana não são resultado de economistas e agências ilusionistas: o índice de preços avançou para 4,5% no 1º trimestre, indicando aceleração; a taxa de desemprego atual é de 4,3%. A dívida pública americana aproxima-se de 123% do PIB. Os institutos de pesquisa também não criam falsas ilusões quanto à popularidade do presidente. Em abril, Donald Trump enfrentou um ligeiro declínio, com índices de aprovação atingindo níveis baixos, superando os 60%, impulsionada por alto custo de vida, conflitos impopulares no Oriente Médio e aumento nos preços da energia.
Um funcionário da Casa Branca afirmou que a família de Allen alertou a polícia minutos antes do ataque. A irmã do suspeito destacou que ele fazia declarações radicais, tinha planos de fazer “alguma coisa”; como parte de um grupo chamado “The Wide Awakes”, participou do protesto anti-Trump chamado “No Kings”, na Califórnia. Havia, inclusive, escrito um manifesto no qual “deixava claro que ele queria atingir autoridades do governo”. Ou seja, com todas essas informações, o governo americano não ter caprichado com a segurança do evento, e ainda ter contratado um ilusionista para o encontro tem cara de piada (é o que me ocorre pra fugir de uma teoria conspiratória). Que Trump é bizarro e vive de versões para tratar dos fatos, preferindo fake news na construção deliberada de narrativas que lhe sejam favoráveis, todos nós (os atentos) sabemos. Trata-se de um mestre do ilusionismo midiático. O que não sabemos é o que está por trás de tudo isso, pois essa foi a terceira tentativa de assassinato de Trump malograda. Se não for teatro, é uma cena tragicômica que se anuncia no grande circo de horrores em que estão nos metendo.
(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.





Resumo da opera II. Voando abaixo do radar. E o manifesto da Palantir?
Resumo da opera. Total zero. Cortina de fumaça. Não se discute os problemas tupiniquins porque fica feio para o governo. No mais presta-se atenção nos fatos. Agente Laranja, por exemplo, briga com os europeus. Talvez acredite que acabando a OTAN economiza-se uns pilas. Se mandar o Iran para a era da pedra lascada cria estabilidade temporaria na região, uma decada ou duas.
‘[…] ainda ter contratado um ilusionista para o encontro tem cara de piada (é o que me ocorre pra fugir de uma teoria conspiratória).’ Primeira vez que chamam um ilusionista. O padrão é contratar um comediante. Ou ninguém.
‘Um funcionário da Casa Branca afirmou que a família de Allen alertou a polícia minutos antes do ataque.’ Não significa nada porque recebem centenas de alertas.
‘[…] parte de um grupo chamado “The Wide Awakes”, participou do protesto anti-Trump chamado “No Kings”, na Califórnia.’ No Brasil ‘o amor venceu’, por la perdeu e querem resolver na bala.
Tirando a divida o resto é conjuntural. Tem jeito. Mas a divida não, logo vai quebrar.
‘A dívida pública americana aproxima-se de 123% do PIB.’ Em maio atingiu 39 trilhões. PIB é algo como 32 trilhões. Divida cresce 1 trilhão a cada 93 dias. Elon Musk ja tinha alertado ainda no governo que era certo que o governo iria quebrar. O pagamento dos juros já excedia o orçamento da defesa. Depois que saiu do governo afirmou que não tinha mais jeito. Todo o resto é conjuntural. Obvio que o Agente Laranja não tem culpa de toda a divida, só de uma parte. Alas, nosso governo leva o pais para a mesma direção.
‘Talvez o atirador não fosse um dos ilusionistas, mas sim um dos antigos iludidos, dentre os muitos desiludidos americanos (alguém desiludido esteve iludido em algum momento).’ Atirador é engenheiro mecanico pelo Caltech e mestre em ciencia da computação. Lecionava em cursinho de preparação para o Enem deles. Publicou um manifesto. ‘Não vou mais permitir um ped%ofil#, estup#@dor e traidor sujar minhas mãos com seus crimes’. Autor tenta insinuar que o maluco é trumpista. Se acha esperto, ri quando é pego com a mão da butija. Junto com o narcisismo do atirador faz parte do ‘arsenal’ Vermelho.
‘As teorias de que havia mais de um ilusionista no evento,[…]’. Na aldeia existem muitos ‘ilusionistas’, falam sobre qualquer assunto e para alguns até parece que entendem sobre o assunto que comentam. Verdadeiros jenios.
‘[…] começam com a suposição (e notícias) de que a segurança do jantar de gala era fraca.’ Verdade é que a confusão aconteceu num andar acima da entrada do salão. Havia falhas, os tickets que serviam de entrada eram numerados não tinham o nome dos convidados. Nada de novo debaixo do sol, o Washington Hilton é o mesmo hotel onde Reagan foi baleado em 1981.
‘[…] ficou em estado de choque, acreditando que poderia morrer.’ Ele e os correspondentes que foram parar debaixo da mesa. Alguns perguntaram em voz alta ‘sangue fede?’.
‘[…] ficou em estado de choque, acreditando que poderia morrer.’ Ele e os correspondentes que foram parar debaixo da mesa. Alguns perguntavam em voz alta: ‘sangue fede?’.