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O Corvo e a Democracia – por Daniel Arruda Coronel

No dia 21 deste mês, completam-se trinta e sete anos do falecimento do jornalista e ex-governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda, o qual foi um ferrenho algoz dos ex-presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart, fazendo uma oposição desleal e desconstrutiva e colocando os interesses pessoais acima dos republicanos.

Carlos Lacerda ficou popularmente conhecido como o Corvo da Guanabara e, através do seu jornal Tribuna da Empresa, fazia fortes acusações, grande parte delas sem provas e embasamento, a seus adversários e desafetos. O jornalista teve papel fundamental no desfecho do governo Vargas, tentou, em 1965, organizar um golpe visando evitar a posse do presidente Juscelino, em 1961 fez fortes críticas ao presidente Jânio Quadros, seu ex-aliado político, e, em 1964, teve efetiva participação na queda de João Goulart.

As ações de Lacerda tinham como objetivo desestabilizar seus oponentes e, como parâmetro, “o quanto pior melhor”, ou seja, ele não adotava uma atitude republicana, através de uma oposição construtiva e fiscalizadora, mas, sim, visava provocar o caos e a desordem.

Lacerda conseguiu, com brilhantismo, fazer uma oposição sectária na democracia, contudo, após o golpe militar que contou com seu apoio e apreço, as coisas começaram a mudar, pois as críticas que tanto fazia quando predominava a democracia já não poderiam mais ser feitas. Assim, suas pretensões políticas foram gradativamente sendo minguadas pelos governos militares, os quais não queriam entregar o poder a um civil e, como desfecho final de sua “grande trajetória”, o que se observou foi a perda de seus direitos políticos. No final de sua vida, tentou realizar uma aliança com dois de seus desafetos os quais ele tanto combatera, os ex-presidentes Juscelino e Goulart, visando à defesa da democracia, da ordem e da pluralidade de ideias.

Exemplos como os de Carlos Lacerda, que fez uma oposição raivosa, realizando qualquer tipo de acordo político para conseguir o poder e apequenar o debate, servem para mostrar o que não se deve fazer no âmbito das relações político-institucionais, mas também serve para, mais do que nunca, valorizar e defender a democracia. Sabe-se que, em ambientes democráticos, o embate político, mesmo que de maneira desleal, como fazia Lacerda, é possível, embora não seja o desejável, mas já em regimes totalitários, a discordância das ideias e dogmas dominantes pode significar o banimento da vida pública.

Enfim, Lacerda aprendeu, da pior forma possível, uma grande lição do estadista inglês Winston Churchill: “a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.

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