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Cochilos – por Orlando Fonseca

A melhor imagem do Brasil atual foi tirada no encontro da cúpula do Mercosul, em Mendoza, Argentina. O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, cochila ostensivamente durante discurso de Temer na cúpula do Mercosul. E o mais interessante e bizarro, bisonho também, é que o presidente falava sobre os “avanços” na economia do país, como se estivesse pregando um exemplo aos representantes dos demais países do bloco. Assim é que este governo vai avançando, diante da maioria do povo que está tirando um cochilo. Enquanto a Fiesp, que acreditou no golpe, volta a inflar o pato, o Temer continua a falar para boi dormir.

As fotos e os vídeos rodaram o mundo. O próprio Meirelles foi questionado pelos jornalistas que cobriam o evento. As mesmas desculpas dadas pelas informações inverídicas sobre os índices apresentados. E assim que retornaram ao Brasil, os dois se viram envolvidos pelos questionamentos sobre a bomba que caía sobre a cabeça, as panelas e o bolso dos sonolentos brasileiros: aumento de impostos, aumento no preço dos combustíveis. E Temer dizendo que o povo há de compreender a majoração, tão criticada e impedida nos governos anteriores. Nana, nana, nação inocente!

O golpe foi dado porque a presidenta não tinha condições de estancar o rombo nas contas públicas. E o cochilante ministro ainda vem repetir a lenga-lenga de que é preciso aumentar os tributos para tapar os buracos herdados da administração anterior. Dois anos depois? Como se há poucos dias Temer não tivesse torrado quase 2 bilhões para comprar a sua defesa na comissão que julga a procedência da acusação contra ele, agora vem dizer ao povo que precisa economizar para fechar o rombo no orçamento. Dorme, dorme, filhinho da Mãe Gentil!

Além de ter liberado o saldo das contas inativas do FGTS para fazer circular a economia, o governo tentou a repatriação de dinheiro depositado em contas no exterior – em paraísos fiscais; recursos desviados para fugir da mordida do Leão do Imposto de Renda. Mas este último expediente não representou aumento significativo, aliás, como era de se esperar: de quem tem muito a esconder, de quem acha um jeitinho de sonegar, esperar o quê? Some-se a essa conversa-acalanto-bovino a propaganda oficial sobre os ajustes da Previdência: ela insiste no bordão de que a culpa pelo rombo na arrecadação é o trabalhador, mas e a sonegação das empresas que recolhem mas não repassam? Enquanto isso, o assalariado curte uma soneca.

Temer espera que o povo – ao menos aquela fração dos que ainda estão acordados – vai entender. Será? Além de contingenciar o orçamento, o que significa diminuir recursos para cumprir com obrigações do estado, este mesmo povo deveria era se dar conta que tudo o que vem por aí é mais para tirar-lhe o sono. Enquanto isso, velhas figuras conhecidas do cenário político posam de exemplos de probidade, diante do descalabro em que virou a política nacional. Antigamente, quem não conseguia roubar se considerava cidadão honesto. Hoje, quem recebeu propina menor é que se considera honesto – vide Onix Lorenzoni e Demóstenes Torres, que anunciam a sua volta nas próximas eleições. Durma-se com um barulho desses – a bem da verdade, a patuleia já não exige silêncio para cair no sono.

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