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O que significa ser independente? – por Luís Henrique Kittel

“Reafirmo que independência é prática diária. Não é apenas o grito de 1822”

O que significa, hoje, ser independente? Essa é a pergunta que precisamos fazer quando entramos na Semana da Pátria, de 1º a 7 de setembro. Celebramos, lembramos, hasteamos bandeiras, ouvimos hinos e discursos. Mas será que estamos, de fato, vivendo a essência da independência? Ou será que nos contentamos com o ritual, enquanto deixamos de lado as reflexões que realmente importam sobre o Brasil que somos e o país que queremos ser?

Em Agudo, a Semana da Pátria deste ano tem sido marcada por momentos bonitos. Nossas escolas, entidades e instituições se reúnem na Praça da Emancipação para resgatar figuras e temas simbólicos da nossa história. Essas lembranças são importantes, nos ajudam a valorizar a caminhada que fizemos como nação. Mas elas só terão sentido real se forem acompanhadas de reflexão crítica: de que adianta celebrar o passado se não aproveitamos para pensar no presente e no futuro?

Muito se afirma que o Brasil vive hoje uma democracia consolidada, ao contrário de períodos turbulentos da nossa história. Mas será mesmo? Não é difícil perceber que as engrenagens dessa democracia ainda rangem. Basta olhar para a relação entre os poderes da República – Executivo, Legislativo e Judiciário. Estão eles realmente em harmonia, como sonharam os constituintes de 1988? Ou estamos diante de uma constante disputa de protagonismo, onde muitas vezes o povo, que deveria ser o centro de tudo, é colocado de lado como mero espectador?

O Brasil é um país gigante, diverso, criativo e rico em potencial. Temos uma agricultura e um agronegócio que alimentam o mundo, empreendedores que seguem firmes apesar de todas as dificuldades, jovens com sede de oportunidades. Mas, ao mesmo tempo, convivemos com desigualdade social, violência, corrupção e um perigoso descaso com a coletividade. Essas contradições não podem ser ignoradas se realmente queremos falar em independência.

Por isso reafirmo que independência é prática diária. Não é apenas o grito de 1822. É cobrar ética da política, mas também praticar honestidade no cotidiano. É exigir serviços públicos de qualidade, mas também cumprir deveres e respeitar regras coletivas. É ter orgulho da bandeira verde e amarela, da “ordem e do progresso” que nela estão escritos, mas sem transformar esses símbolos em bandeiras de divisão.

O Brasil precisa, mais do que nunca, se reencontrar consigo mesmo. Redescobrir a essência do que significa ser uma nação: respeitar suas instituições, fortalecer a democracia, valorizar sua diversidade e lutar, todos os dias, por um futuro mais justo, digno e próspero.

A independência, afinal, não se comemora apenas em um feriado. Ela se constrói e se defende todos os dias – no comportamento de cada cidadão, nas escolhas políticas, nas atitudes de governo e nas pequenas ações que, juntas, desenham o país que queremos deixar para as próximas gerações.

(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN). É prefeito reeleito do município de Agudo (o único do PL na região), foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia e atualmente é vice-presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro). Ele escreve no site às quintas-feiras.

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Um Comentário

  1. Não é dizer que Agudo não mereça respeito, muito antes pelo contrário. Só que sua população é inferior a do Bairro Camobi.

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