Uma nova Independência – por Giorgio Forgiarini
“Tenho razões para ser otimista quanto a isso”. E o articulista explica por quê!

Sete de setembro. Dia de nossa Independência. É possível, sim, atribuir parte do atraso brasileiro ao jugo que nos foi imposto pelos colonizadores. Isso porque, para garantir seu domínio, portugueses adotaram para o Brasil uma estratégia baseada em três pressupostos: isolamento, sigilo e precariedade. A lógica era cruel, porém eficiente: uma sociedade isolada do mundo, ignorante quanto a si mesma e desprovida de infraestrutura é muito mais fácil de ser controlada. Justamente por isso, teve o Brasil durante séculos seu desenvolvimento francamente sabotado pela metrópole.
Até 1808 foi por aqui proibida a elaboração e publicação de mapas, portulanos ou estatísticas sociais e territoriais. Foi desautorizada a imprensa, a importação de livros, a criação de universidades e até mesmo a instalação de indústrias. O primeiro jornal brasileiro, vejam só, era editado e publicado na Inglaterra por Hipólito da Costa. Os poucos teares que insistiam em funcionar eram destruídos logo que flagrados pelas autoridades. A navegação fluvial foi reprimida, assim como a abertura de estradas. Os portos brasileiros foram fechados, naquilo que recebeu o nome de “exclusivo comercial metropolitano”.
Nenhuma dessas restrições surtiria qualquer efeito se não contasse a metrópole com a cumplicidade decisiva de brasileiros inseridos pela metrópole em postos-chave da burocracia colonial. Deu certo: durante séculos o Impávido Colosso permaneceu submisso a uma nação diminuta, como um cavalo cabresteado por um domador inúmeras vezes mais fraco.
A independência veio, pelo menos do ponto de vista formal. Desde então, a coincidência: o primeiro país a nos reconhecer como livres, os Estados Unidos, foi quem mais se esmerou para tolher nossa soberania. Não que alguns outros também não o fizessem, mas nenhum com a fome e o êxito dos Estados Unidos.
Aquele país não haveria de tolerar qualquer assanhamento do que consideram ser sua colônia, ou melhor, seu “quintal”, como prefere se referir Pete Heghset. Uma doutrina inteira foi idealizada justamente para isso. Dizem alguns incautos que a Doutrina Monroe foi concebida para impedir a existência de colônias europeias na America Latina, mas… balela. Foi só para garantir a influência americana sobre nossas próprias decisões.
Já financiaram golpe de Estado, já boicotaram exportações brasileiras, já sabotaram brasileiro presidente de agências internacionais, já grampearam comunicações de autoridades brasileiras, já nos empurraram goela abaixo teorias econômicas que não funcionam, dentre outras tantas coisas que só se fala à boca pequena. Tudo isso, obviamente, com a cumplicidade decisiva de brasileiros inseridos em postos-chaves da nossa burocracia.
Agora, de novo, porém com intensidade e despudor sem precedentes. Estados Unidos não medem esforços para devolver ao poder no Brasil aquele que bate continência para bandeira americana. Só não conseguiram ainda porque a estupidez de Jair e seus asseclas também não tem precedentes. Ademais, hoje temos instituições imperfeitas, porém muito mais robustas do que outrora.
Em 2025, espero que a primeira quinzena de setembro represente mais um marco na conquista da independência brasileira. Que simbolize a prisão de um Ex-Presidente, que reverenciava bandeira alheia, a despeito de brutais pressões internacionais.
Tenho razões para ser otimista quanto a isso.
“Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil”.
(*) Giorgio Forgiarini é advogado militante, com curso de Direito pela Universidade Franciscana, é Mestre em Ciências Sociais e Doutor em História pela Universidade Federal de Santa Maria. Ele escreve nas madrugadas de sábado.





Resumo da opera IV. Ultima confusão em BSB, anistia principalmente, resultou na liberação de 2,5 bilhão de reais de emendas parlamentares. Brasil tem que deixar de ser colonia de BSB.
Resumo da opera III. Setembro. ‘povo que não tem virtude acaba por ser escravo’. Em 1980 o PIB per capita da Coreia do Sul era perto de 1700 dolares. A do Brasil 1960 dolares. Hoje a do Brasil é algo como 10 mil dolares e a da Coreia é 35 mil. Pais asiatico ainda foi colonia japonesa uma epoca. A culpa é sempre dos outros.
Resumo da opera II. Antiamericanismo dos vermelhos já vem de longe. Mas não é ‘independencia’, querem alinhamento com a China comunista. Até mandaram Celso Amorim para lamber bota do Xi Jinping. Governo chinês não é ‘bonzinho’ tampouco. Investe pesado na infraestrutura tupiniquim. China tem terminal no Porto de Santos. Financia a ferrovia Transoceanica. Quem ganhou o leilão do tunel Santos-Guarujá? Empresa portuguesa. Que tem acionistas chineses. Alas, nas ultimas semanas tupiniquins frequentaram podcasts falando bem e defendendo a China. Como diria Hipolito da Costa, pagando bem que mal tem? Até os campos de ‘reeducação’ dos uigures viraram ‘coisa da Globo’.
Resumo da opera. Discurso ‘nacionalista’ é para ingles ver. Governo até paga publicidade com Seu Jorge estrelando porque acredita que repetir ‘soberania, soberania, soberania’ dá votos.
“Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil”. Deus me livre de morrer pelo Brasil. A Patria que se lasque. Criaturas têm que ser muito tapadas para cair numa conversa mole destas.
‘[…] represente mais um marco […] Que simbolize […]’. Como dizia Freud, ‘simbolico é o K7’. Toda hora tem alguem largando o chavão ‘simbolico’ sem base nenhuma, é uma ‘interpretação’ genérica de comunicação com um coletivo imaginario.
‘Ademais, hoje temos instituições imperfeitas, porém muito mais robustas do que outrora.’ Obvio que não. Congresso é de um baixo nivel, generalizando óbvio, sofrivel. Composição do STF não se compara a outras que existiram antes. Congresso não discute os grandes problemas nacionais, o executivo só gasta e marketeia e a cupula do judiciario acha que é a salvação da lavoura sem ter voto para isto. Não adianta negar a realidade. Pior, podem tirar o Cavalão e o Rato Rouco da politica amanha, não se resolve o problema.
‘[…] já nos empurraram goela abaixo teorias econômicas que não funcionam,[…]’. Teorias comunistas funcionaram? E o ‘desenvolvimentismo’, coisa de tupiniquim, deu errado com JK, com os milicos e com Dilma, a humilde e capaz. Nada imposto de fora, muito pelo contrario.
‘Já financiaram golpe de Estado, já boicotaram exportações brasileiras, já sabotaram brasileiro presidente de agências internacionais, já grampearam comunicações de autoridades brasileiras,[…]’. Infantil. Não foram ‘bonzinhos’ com o Brasil. Defendem seus interesses. Quem pode mais chora menos.
‘[…] como prefere se referir Pete Heghset. Uma doutrina inteira foi idealizada justamente para isso. Dizem alguns incautos que a Doutrina Monroe […]’. Um pulo de mais de 200 anos. Hipocrisia é que na epoca do Jimmy Carter meter o bedelho aqui, não importa o motivo, não tinha problema nenhum.
‘A independência veio, pelo menos do ponto de vista formal.’ População do Brasil em 1822 foi estimada em 4 milhões. Não tinha Exército praticamente. Criaram o Corpo de Estrangeiros com mercenarios suiços, irlandeses e alemães.
‘ O primeiro jornal brasileiro, vejam só, era editado e publicado na Inglaterra por Hipólito da Costa.’ Em 1812 consta que fez uma acordo com a Coroa. Esta pagava um modico ‘salario’ e comprava exemplares do jornal. Nada parecido com o que acontece hoje, a imprensa atualmente é ‘independente’!
‘Nenhuma dessas restrições surtiria qualquer efeito se não contasse a metrópole com a cumplicidade decisiva de brasileiros inseridos pela metrópole em postos-chave da burocracia colonial.’ Quantos deles se consideravam ‘brasileiros’? E quantos ‘portugueses’? Quantos desejavam, a longo prazo, voltar para a Metropole?
‘Os portos brasileiros foram fechados, naquilo que recebeu o nome de “exclusivo comercial metropolitano”.’ Naquela epoca não existia contrabando e nem descaminho.
‘A navegação fluvial foi reprimida, assim como a abertura de estradas.’ A fiscalização naquela epoca era muito melhor do que a atual.
‘Até 1808 foi por aqui proibida a elaboração e publicação de mapas, portulanos ou estatísticas sociais e territoriais. Foi desautorizada a imprensa, a importação de livros, a criação de universidades e até mesmo a instalação de indústrias.’ População ‘portuguesa’ em 1808 era menor que 500 mil habitantes. Salvador na Bahia tinha algo como 60 mil habitantes. Cidade do RJ algo entre 50 e 60 mil. Vamos combinar que a taxa de analfabetismo era significativa. Fica a pergunta, jornais, estatisticas, mapas e livros para quem? Industrias para produciar o quê para quem?
Das coisas que são repetidas sem pensar muito a respeito. Os/as que tem condições, obvio.
Nossa! Que texto espetacular. Parabéns, Giorgio.