Madame Adam, Juliette Lamber – por Elen Biguelini

A escritora francesa Juliette Lambert nasceu em 4 de outubro de 1836 em Verberie, à norte de Paris. Ela foi filha de um médico chamado Jean-Louis Lambert.
Casou-se aos 16 anos com Alexis La Messine, com quem teve uma filha em 1854. Embora tenha se separado apenas 5 anos apos o nascimento da filha, em 1850 havia acompanhado seu marido à Paris, onde ela teve o contato com a elite cultural e social republicana. Foi já neste casamento que começou a escrever.
Teve uma vasta obra literária que englobou teatro, memórias, memórias de viagem (um estilo típico do século XIX) e ideias filosóficas e feministas.
Em 1867 casou novamente, desta vez com Edmond Adam (1816-1877), embora o casal já se conhecia há mais de dez anos quando se casaram. Seu marido era advogado e politico importante francês.
O casal tinha contato com a mais diversa e completa rede de filósofos, artistas e políticos republicanos. Se correspondiam com a escritora George Sand (Aurore Dupin, 1804-1876). E o salão organizado por ela recebeu desde jornalistas como Émile de Girardin (1802-1881) e políticos como o senador e primeiro ministro Charles Freycinet (1828-1923), artistas, poetas, historiadores e escritores como Daniel Stern (pseudônimo de Marie d’Agoult, a condessa d’Agoult, 1805-1876), Gustave Flaubert (1821-1880), Victor Hugo (1802-1885) e Guy de Maupassant (1850-1893), entre outros.
O marido faleceu 10 anos após o casamento, mas ela continuou seu salão após a viuvez, mesmo após se mudar para uma localidade próxima de Paris.
Era vista como a idealização dos ideais republicanos, então após o final do Segundo Império (de Napoleão III), passou a ser chamada de “A Grande Francesa”. Seus contatos filosóficos e literários sempre a relacionaram ao movimento republicano e aos ideais feministas. Participou, inclusive, de diversos grupos feministas importantes do início do século XX em Paris.
Escreveu e organizou o periódico “La Nouvelle Revue” em 1879. Permaneceu na edição do periódico por 20 anos e publicou por meio de folhetins um grande número de escritores que posteriormente se tornaram importantes autores franceses, incluso Alexandre Dumas Filho (1824-1895). O mecenato da autora se demonstra também através de diversos prefácios da autora em textos franceses seus contemporâneos.
Faleceu com 100 anos, em 23 de agosto de 1936 em Callian, no sul da França, próximo a Cannes.
Obra:
O periódico “La Nouvelle Revue” (1879-1899).
“Idées anti-proudhoniennes sur l’amour, la femme et le mariage”, 1858, assinado como J. La Messine. Escrito em repostas a textos misóginos sobre autoras como George Sand e Daniel Stein.
“Le Mandarin”, 1860. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k3046187t.r=%22juliette%20lamber%22?rk=364808;4
“Récits d’une paysanne”, 1862. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k3046114x.r=%22juliette%20lamber%22?rk=407727;2
“Voyage autour du Grand-Pin”; 1863. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5680879s.r=%22juliette%20lamber%22?rk=386268;0
“L’education de Laure”, 1869.
“Mon Village”; 1870. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k3045979q.r=juliette%20adam?rk=214593;2
“Mes angoisses et nos luttes”, 1871-1873. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k2079351.r=juliette%20adam?rk=64378;0
“Le Siège de Paris” 1873. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k65430770.r=%22juliette%20lamber%22?rk=236052;4
“Jean et Pascal”, 1873. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k64687793.r=%22juliette%20lamber%22?rk=343349;2
“Laide”, 1878. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k6495896v.r=%22juliette%20lamber%22?rk=450646;0
“Grecque”, 1879.
“Poètes grecs contemporains”; 1881. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k9667202m.r=%22juliette%20lamber%22?rk=429186;4
“Païenne”, 1883. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k30566798.r=juliette%20adam?rk=128756;0
“La patrie hongroise: souvenirs personnels”, 1884. Memórias de viagens. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k936676r.r=%22juliette%20lamber%22?rk=193134;0
“Un revê sur le Divin”, 1888. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k997711t.r=juliette%20adam?rk=257512;0
“Mon Petit Théatre: les temps nouveau, Mourir, Coupable, Fleurs piquées, Galatée”; 1896. Teatro. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5828983b.r=%22juliette%20lamber%22?rk=150215;2
“La patrie portugaise”, 1896. Memórias de sua viagem à Portugal. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5809761t.r=%22juliette%20lamber%22?rk=214593;2
“Mes souvenirs”; diversas memórias publicadas entre 1902-1910. (“Mes premiers armes littéraires e politiques”, 1904. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k2002471.r=%22juliette%20lamber%22?rk=128756;0 , “Le romans de ma enfance et ma jeaunesse”. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k8630250g.r=%22juliette%20lamber%22?rk=64378;0, “Mês sentiments et nos idées avant 1870”, 1905. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k97081789.r=%22juliette%20adam%22?rk=407727;2, “Mes illusions et nos souffrances pendant le Siège de Paris”; 1906. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5778636s.r=%22juliette%20adam%22?rk=429186;4)
“Impressions françaises en Russie”, memórias de viagem, 1912.
“Chrétienne”; 1913. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k411264h.r=juliette%20adam?rk=171674;4
“L’heure vengeresse des crimes bismarckiens”, 1915. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k411265w.r=%22juliette%20lamber%22?rk=85837;2
“La Vie des âmes” 1919.
“L’Anglaterre en Égypte”, 1922.
Toda a obra da autora pode ser encontrada no Internet Archive. Via : https://archive.org/search?query=creator%3A%22Adam%2C+Juliette%2C+1836-1936%22
Referências:
Imagem da autora, via gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b10845310c.r=juliette%20adam?rk=107296;4
Imagem da autora via Art Institute of Chicago: https://www.artic.edu/artworks/143394/juliette-lamber
Site francês da wikipedia sobre a autora. Acesso via: https://fr.wikipedia.org/wiki/Juliette_Adam#Liens_externes
Leitão Bandeira, Lourdes. “Salões culturais abertos por figuras femininas: O salão ‘Universitas Gratie’”. Lisboa: Carvalho e Simões Lda, 2006. p. 134.
(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.





ATENÇÃO
1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.
2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.
3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.
4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.
5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.
OBSERVAÇÃO FINAL:
A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.