Madame Tencin – por Elen Biguelini
Um pouco dessa francesa de vida muito intensa e de grande influência

Claudine Alexandrine Guérin de Tencin nasceu em 27 de abril de 1682 em Grenoble (próximo a divisa francesa com a Itália.
Quando ainda jovem foi destinada a Igreja, ainda que a contragosto. Professou no Mosteiro das Agostinianas de Mont Fleury, e apenas aos 30 anos pode largar a vida religiosa. Foi então para Paris, onde morava sua irmã Madame de Ferriol (Charlotte Elizabeth Aicha, 1693-1733, que era amante de Filipe II, Duque d-Orleans,1674-1723,) e onde conseguiu criar um empreendimento junto a seu irmão Pierre Guerin de Tencin (1679-1758), que posteriormente foi prior da Sorbonne, abade de Vaseley e Arcebispo de Lion.
Também participou do empreendimento seu amante e seu amante Louis-Camus Destouches, conhecido como Destouches-Canon (1668-1726) e outros senhores da sociedade francesa. Do relacionamento com Destouches, nasceu um filho ilegítimo, que foi abandonado nas escadas da igreja de Saint Jean Le Rond. Este foi adotado, educado e se tornou o matemático e enciclopedista Jean Le Rond D´Alembert (1717-1783).
Após seu filho obter sucesso, teria o procurado com o objetivo de ser reconhecida como mãe, mas ele a renegou em favor de sua verdadeira mãe, a adotiva.
Conseguiu, por meio de seus conhecidos e vida social, auxiliar a ascensão religiosa e política de seu irmão Pierre, que se tornou inclusive o Prior da Universidade francesa, a Sorbonne.
Teve também um caso com o Cardeal Guillaume Dubois(1656-1723). O relacionamento com o ministro do reino já demonstrava sua capacidade de auxiliar e “mexer os pauzinhos” da politica francesa. Muitas mulheres ao longo dos séculos participaram assim escondidas das escolhas da sociedade. Madame de Terin foi uma delas.
Outro de seus amantes foi Charles-Joseph de La Fresnaye. Este, endividado até mesmo com a amante, se suicidou na casa dela em 1726, deixando uma carta que a acusava de assassinato. Chegou a ser presa, mas foi inocentada da acusação.
Em 1733 faleceu a grande salonnière Madame de Lambert. Ela passou então a reunião os remanescentes ilustres em sua casa. Eram estes o iluminista e dramaturgo Fontennelle (Bernarde le Bovier de Fontenelle, 1657-1757), o político e filosofo Montesquieu (Charles-Louis de Secondat, Barão de La Brède e Montesquieu, 1689-1755), o também dramaturgo Pierre Carlet de Chamblain de Marivaux (1688-1763) e o filosofo Claude Adrien Helvétius (1715-1771), entre outros.
Mas desde 1717 já recebia em sua casa o que seria um salão, mas político e não literário.
Tanto amigos quanto amantes receberam seu auxilio na ascensão política, social e mesmo literário e filosófica. Exercia assim sua influencia em toda a elite parisiense.
Publicou algumas obras de forma anônima e faleceu em Paris em 8 de dezembro de 1749.
Ficou conhecida por sua vida escandalosa e repleta de amantes, mas também por sua atuação politica e auxilio na carreira dos homens que a rodeavam.
Obra: “Les Mémoires du comte de Comminge”, 1735. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k109037b.r=Claudine%20Alexandrine%20Gu%C3%A9rin%20de%20Tencin?rk=21459;2
“Le siège de Calais”, 1739. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k96113887.r=Claudine%20Alexandrine%20Gu%C3%A9rin%20de%20Tencin?rk=85837;2
“Les Malheurs de l’amour”, 1747. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k108852b.r=Claudine%20Alexandrine%20Gu%C3%A9rin%20de%20Tencin?rk=21459;2
“Anédoctes de la cour et du règne d’Edouard II, roi d’Anglaterre”, 1776. Póstumo. Acesso via Gallica: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k109266m.r=Claudine%20Alexandrine%20Gu%C3%A9rin%20de%20Tencin?rk=214593;2
“Oeuvres Complètes”, 1786. Póstumo. Tomo VII em acesso via Internet Archive: https://archive.org/details/bub_gb_zTFik-fIogIC
Referências:
Imagem de Madame de Tencin jovem. Acesso via: https://www.meisterdrucke.pt/impressoes-artisticas-sofisticadas/French-School/95730/Claudine-Alexandrine-Guerin-(1682-1749)-Madame-de-Tencin.html
Página sobre a autora na Enciclopedia Brittanica. Acesso via: https://www-britannica-com.translate.goog/biography/Claudine-Alexandrine-Guerin-de-Tencin
Página sobre a autora na Wikipedia francesa. Acesso via: https://fr.wikipedia.org/wiki/Claudine_Gu%C3%A9rin_de_Tencin
Página sobre a autora na Encyclopedia. Acesso via: https://www-encyclopedia-com.translate.goog/women/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/tencin-claudine-alexandrine-guerin-de-1685-1749?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc
Leitão Bandeira, Lourdes. “Salões culturais abertos por figuras femininas: O salão ‘Universitas Gratie’”. Lisboa: Carvalho e Simões Lda, 2006. p. 93-94.
Legrand, Marie-Pierre. “Claudine-Alexnadrine Guérin de Tencin”. In. Societé Internacionale pour l’etude des femmes de l’ancien régime, 2024. Acesso via: https://siefar.org/personnage/claudine-alexandrine-guerin-de-tencin/
Winegarten, Renee. “Women & Politics: Madame Tencin”. Acesso via: https://newcriterion.com/article/women-politics-madame-de-tencin/
(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.





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