O plano dele: rifar o povo do orçamento do Brasil – por Valdeci Oliveira
A surpresa (e o medo) com as propostas do pré-candidato Flávio Bolsonaro

Pegou de surpresa parte do mundo político, principalmente pelo efeito dramático que delas irá resultar, algumas propostas anunciadas pelo pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro. Tanto é que a ordem imediata foi suspender os detalhes para que estes não fossem explorados pelos adversários contra o próprio proponente. E esse “comer afobado” muito provavelmente foi causado pela ansiedade de angariar os barões do PIB e os ternos bem cortados da Faria Lima na construção de apoios.
Mas se de um lado houve surpresa, de outro veio o medo daqueles que serão as vítimas deste processo, caso se concretize. Falo da maioria da população brasileira, que é assalariada (ou busca ser), aposentada (ou prestes a), dependente do SUS, da escola pública (incluindo universidades) ou dos benefícios sociais com BPC ou Bolsa Família. Estamos falando de pobres e muito pobres e de uma parcela grande que avança nos primeiros degraus da chamada classe média.
E tratam-se de propostas com endereço certo, que poupam justamente quem não precisa de nada disso. As falas do pré-candidato, ou as ditas pela coordenação de campanha, também chocaram pela desfaçatez renomeada de “modernização” ou necessidade fiscal, como se o país, ao contrário de todos os índices macroeconômicos, estivesse quebrado. É a realidade paralela ignorando a vida real.
E elas começam por desvincular os pisos constitucionais de saúde e educação, corrigindo-os somente pela inflação. E o andar de cima aplaude, pois, os únicos afetados serão seus serviçais e não quem habita o topo da pirâmide ou está próximo dele. Na prática, ao retirar os mínimos obrigatórios para esses gastos, que chamo de investimentos, suprime-se vultosas quantias de dinheiro dessas áreas, afetando todos os serviços do SUS – da vacinação e construção e manutenção de hospitais e UBSs passando por consultas, exames e cirurgias -, e das escolas e universidades públicas, em todos os seus aspectos – acesso universal, manutenção, expansão, contratação de professores e corpo técnico, etc.
Hoje, a União é obrigada a aplicar 18% do que arrecada de impostos na educação. Na saúde, são 15%. E sabemos todos ser ainda insuficiente. Apesar disso, o pré-candidato da extrema direita quer reduzir um cobertor já curto.
Mas ele vai além. A sanha antipovo inclui novas reformas trabalhista e previdenciária, retirando o pouco que sobrou de direitos depois do que foi feito em 2016, por Michel Temer, na primeira, e por Jair Bolsonaro, em 2019, na segunda. Juntando as duas, foi a ação mais prejudicial à classe trabalhadora brasileira em décadas, pois também asfixiou o movimento sindical para que este perdesse a capacidade de organização, mobilização e pressão social. Era tudo o que o mercado financeiro e a classe patronal queriam – e continuam desejando.
E tudo contra o elo mais fraco da corrente e preservando todos os privilégios da parte mais forte. E novamente com a mesma receita, em que o Estado faz caixa e direciona esses recursos para atendimento dos interesses do “mercado” em detrimento de atuar naquilo em que, pelas palavras da lei, age ou deveria agir em defesa dos trabalhadores e das minorias sociais, deixando com estes apenas o ônus e o peso de um pretenso reequilíbrio fiscal.
A lista inclui ainda acabar com a política de reajuste do salário mínimo, que com Lula, entre 2003 e 2026, alcançou um ganho real acumulado na ordem de 97,3% acima do INPC, além de separar este dos benefícios previdenciários e assistenciais, o que representará uma queda constante nos ganhos de quem deles depende. Tem também o desejo de privatizar 95% das estatais nacionais, quando está mais que provado que no modelo aqui aplicado somente sai ganhando o lado que compra. Entre os muitos exemplos, o caso do gasoduto brasileiro construído pela Petrobras para transportar o gás vindo da Bolívia. Vendido por Bolsonaro em 2019 por R$ 33 bi, desde então já pagamos R$ 21 bi só de aluguel pelo uso da estrutura.
Outra vítima do plano que está sendo elaborado é a nossa soberania, com o candidato da extrema direita oferecendo a exploração total de terras raras brasileiras aos Estados Unidos, para que este não dependa da China – de longe o principal parceiro comercial brasileiro – na obtenção destes minérios, cruciais para a fabricação de diversas tecnologias avançadas.
Todas essas medidas dialogam com outras envolvendo a extrema direita brasileira, como terem votado contra os direitos trabalhistas das empregadas domésticas, o fornecimento de gás de cozinha para as famílias muito pobres, a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e agora a redução da jornada 6×1, espalhando mentiras de que a proposta fechará empresas, causará demissões e reduzirá salários. E foram os mesmos que apoiaram, meses atrás, Donald Trump nas medidas danosas ao Brasil, à nossa economia e às nossas empresas.
Com tais propostas, Flávio Bolsonaro deseja, caso vença o pleito eleitoral, que o grande ausente do orçamento nacional seja o povo brasileiro. Mesmo que negue de pé junto.
(*) Valdeci Oliveira, que escreve sempre as sextas-feiras, é deputado estadual pelo PT e foi vereador, deputado federal e prefeito de Santa Maria.





Resumo da opera III. Crescimento do PIB tupiniquim esta abaixo da media mundial e menor do que os outros paises ‘emergentes’. Se o PIB não cresce, se foi antecipada receita contraindo divida, a conta não fecha. Simples assim.
Resumo da opera II. FMI projeta que a divida publica ira atingir 100% do PIB em 2027. E 106,5% até 2031. Eis o busilis. Dai vem um imbecil e diz ‘mas o governo brasileiro utiliza uma metodologia diferente’. O governo brasileiro é que necessita que investidores tragam grana para o pais. Todos os agentes economicos, a grande maioria, tomara decisões com base no que o FMI publicou.
Resumo da opera. É so cruzar os braços. Mentiras como sempre. não tem como ensinar truque novo para cachorro velho, ditado ianque.
‘[…] agora a redução da jornada 6×1, […]’. So passou na CCJ da Camara, ainda não foi a plenario.
‘[…] a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil […]’. Votação unanime nas duas casas.
‘Outra vítima do plano que está sendo elaborado é a nossa soberania, […]’. Abril de 2026. USA Rare Earth, empresa ianque, comprou a mineradora Serra Verde, unica mina de terras raras do Brasil. Quase 3 bilhões de dolares.
‘Entre os muitos exemplos, o caso do gasoduto brasileiro construído pela Petrobras para transportar o gás vindo da Bolívia.’ Onde Rato Rouco doou duas refinarias para Evo Morales. Nem se fala no porto de Mariel que nunca vai ser pago.
‘A lista inclui ainda acabar com a política de reajuste do salário mínimo, que com Lula, entre 2003 e 2026, alcançou um ganho real acumulado na ordem de 97,3% acima do INPC,[…]’. Deficit do RGPS em 2022 foi algo como 270 bilhões. Em 2023 306 bilhões. Em 2024 mais de 416 bilhões. Em 2025 320 bilhões. Porque, dentre outras coisas, a regra de reajuste do salario minimo começou a considerar um teto de 2,5%.
‘E elas começam por desvincular os pisos constitucionais de saúde e educação, corrigindo-os somente pela inflação.’ Emenda Constitucional 95/2016, o teto de gastos. Congelamento por 20 anos com correção pelo IPCA.