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Uma agenda (nada mínima) para 2010 – por Rogério Koff

Finda a novela, a Contribuição da Iluminação Pública foi aprovada pela Câmara de Vereadores de Santa Maria. Se a ideia é ou não “iluminada”, com o perdão do trocadilho infame, saberemos em 2010. Na verdade, a taxa é mínima, se analisada do ponto de vista da classe média ou mesmo para comércio, serviços e indústrias. A CIP ataca, a meu ver, a questão dos terrenos baldios, que acabaram “subtaxados”, pela dimensão dos incômodos que nos causam. A impressão que fica é que as divergências políticas e o acirramento das ideologias falaram mais alto do que o interesse público. Ou a CIP é positiva para nossa cidade, ou o vereador Luís Carlos Fort (PT) está com a razão. O tempo dirá, porque ele foi rigorosamente o único a votar contrariamente em 2006 e 2009, independente de orientação partidária. Os demais, ou eram contra ou a favor há dois anos atrás, eram contra ou a favor agora, ou vice-versa. Definitivamente, não entendo mais nada.

Aproveito o episódio para propor uma reflexão sobre o que nossas lideranças precisam fazer pelo interesse público no ano que inicia, para que possamos enfrentar a nova década de forma sustentável na cidade que amamos e que escolhemos para viver. Tudo isto independente de colorações partidárias ou ideologias. E a questão ambiental fala por si mesma. Aliás, “grita”!

Minha recente experiência política e administrativa no âmbito da Universidade Federal de Santa Maria levou-me a descrer de grandes planejamentos estratégicos. Falar em “políticas ambientais”, portanto, é balela se não formos capazes de estabelecer certas metas e de, em médios prazos, cumpri-las.

Vamos a uma “agenda mínima”:

Camelôs da Avenida Rio Branco – Vão e vêm administrações e o problema só aumenta. Na administração passada, proibiram os traileres de cachorro-quente e xis-burguer, mas nada, rigorosamente nada foi feito a respeito dos camelôs da Rio Branco. E, à parte o problema social que envolve qualquer tomada de decisão, a verdade é que eles precisam imediatamente sair de lá. Jornais da cidade enquadraram a questão em capas algumas vezes sensacionalistas mas, como é de hábito, na teoria da agenda setting, seguidamente “esquecem” o problema. Trata-se de uma questão social, ambiental, estética, seja lá o que for. Mas repito: eles precisam sair de lá. Nossa cidade ficará mais bonita, mais transitável, e os contribuintes agradecerão.

Arborização – Já faz cerca de trinta anos que Santa Maria vem crescendo sem nenhuma política ambiental que pense em árvores. O que seria da grande metrópole de Nova York, mal comparando, sem o Central Park, um verdadeiro “pulmão” para a cidade? Nada se fez nos últimos anos, e a administração do PT até levou a pensar, lá no início da década, que algo novo poderia surgir em termos de meio ambiente. Pelo contrário, as ruas de Santa Maria estão cada vez mais desertas. Caminhar por elas sob o sol de verão é insuportável. Nossa cidade ainda será conhecida como um lugar tão radiante, mas tão radiante, que não admite nenhum tipo de sombra. Quanto a parques e áreas de lazer? Só temos o Itaimbé que, justiça seja feita, está recebendo alguns cuidados. Mas é pouco, muito pouco.

Poluição sonora e poluição visual – Demagogia e proselitismo de nossas lideranças nos levarão à completa ausência de regras neste quesito. Ruas que não têm placa nem nome se opõem a outras em que o mais difícil é “filtrar” a informação. Todo este caos associado a muito, mas muito barulho. Ou o leitor já se acostumou?

Trânsito – Já escrevi neste espaço – e fui contestado – que precisamos urgentemente retirar as carroças de tração animal das ruas movimentadas. São crianças na condução de veículos precários que infernizam o trânsito de Santa Maria. Este problema está associado ao estatuto do menor e ao bem estar dos animais. E não é só isto. Santa Maria não terá tráfego possível em cinco anos, se não houver a duplicação da chamada “faixa velha” para Camobi e a construção do túnel norte-sul. Associada a estas medidas, a proibição de estacionamento em áreas centrais será um passo importante. A medida recentemente tomada na Serafim Vallandro já foi um bom passo neste sentido.

O Lixo – Parcerias da Prefeitura com Associações de Catadores continuarão sendo bem-vindas, mas é preciso mais. Precisamos urgentemente de uma política de reciclagem de lixo. E os contestados Contâineres são absolutamente ineficazes se não houver a implementação da coleta seletiva. Sinceramente, não entendo porque não conseguimos avançar neste sentido. Nossas ruas estão cheias de lixo e não por culpa simplesmente do poder público, mas também pela falta de educação das pessoas, que ao invés de caminharem meio quarteirão preferem depositar suas sacolas em terrenos baldios ou simplesmente em frente aos prédios onde moram.

Enfim, caro leitor, se teve paciência de me acompanhar até aqui, desejo um Feliz Ano Novo. E que nossas lideranças políticas deixem as divergências de lado e se unam pela nossa cidade.

Mas voltando ao assunto, a tal da CIP vai dar bons resultados? Saberemos em 2010.

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4 Comentários

  1. Rogério, boa agenda, mas discordo de que a respeito dos camelôs nada tenha sido feito. O shopping popular está pronto e poderá ser um espaço inteligente e nobre para abrigar esse perfil de comércio. Agora, o processo precisa ser complementado, com coragem do administrador para limpar as calçadas e devolvê-las ao domínio público. Tenho lá minhas dúvidas sobre isso, admito, ainda mais nas vésperas de uma eleição onde três secretários pedirão votos. Tomara que eu esteja errado.

  2. Caros Everton e Aguinaldo: Realmente esqueci dos palhaços. Tem aqueles que só aparecem nas finais de campeonatos para bloquear as ruas, saquear lojas, estragar os parques e infernizar a vida de todos.
    Outros têm endereço fixo e estão nos mesmos horários sem que ninguém faça nada. Já experimentaram transitar pela Praça Saturnino de Brito à noite? Impossivel.
    Batalhão de Operações Especiais e muito cassetete para eles em 2010.
    Feliz Ano Novo

  3. Concordo com tua agenda,mas quanto a carroceiros adultos ou mirins, é preciso gerar alternativas além da mera fiscalização ou eliminação.O lixo é questão cultural (muitos não sabem o que é isso) mas é preciso que a Prefeitura Municipal tenha atitude e muito mais rigor com a empresa coletora, que, ao que parece, não tem horários fixos ou rotinas regulares.Faz o que quer e quando quer.Basta dar uma volta pelas ruas para comprovar.O bando de energúmenos, que avacalha o ir e vir de veículos e pessoas de bem, em dias de “grandes” vitórias futebolísticas, deve ser tratado com rigorosas operações policiais.Quanto a safada da CIP, vamos pagar para não ver ou, melhor dizendo, continuarmos no escuro.Grande abraço e feliz 2010 para todos.

  4. rogério meu caro, como vais?
    pois eu adoto e encampo esta tua agenda (mas tenho minha lista de obviedades a acrescentar: linhas de ônibus mais racionais, horários dos ônibus nas paradas, comércio e supermercados abertos 24 horas por dia, prisão imediata dos palhaços que interrompem o trânsito porque seus times ganharam uma partida besta de futebol, etc e tal…)
    bom ano para você.

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